segunda-feira, 9 de março de 2009

Floresta Negra


Schwarzwälder Kirschtorte. Difícil de pronunciar, talvez. Fácil de fazer, com certeza. Essa linda torta de chocolate recheada de creme de chantilly e cerejas é originária da região montanhosa do sudoeste alemão. A parte mais complicada, pelo menos para mim, era conseguir atingir a consistência do chantilly. Parece bobagem, mas se o creme não estiver bem gelado, pode-se bater por horas e continuar com aquele caldinho branco no fundo da tigela. Por falar em tigela, use uma de metal que você colocará juntamente com as pás da batedeira no congelador por uma meia hora antes de bater o creme. O creme de leite fresco tem mais chances de virar chantilly e é bem mais gostoso. Vale lembrar também que o creme light (com uma percentagem em gordura mais baixa que 30%) não vira chantilly.

Pão de Ló

4 ovos
125 g açúcar
100 g farinha
25 g cacau em pó

Bata os ovos com o açúcar até a mistura esbranquiçar e ficar bem leve, dobrando de volume. Pare de bater e com uma espátula junte delicadamente a farinha e o cacau peneirando-os sobre a mistura. Coloque numa forma redonda untada e leve ao forno aquecido à 180°C por 20 à 25 minutos. Deixe esfriar antes de desenformar e cortar.

Calda

80 ml de água
40 g de açúcar
40 ml de kirch (álcool de cereja - pode-se substituí-lo por rum, se não encontrar)

Levar ao fogo médio numa panelinha até derreter todo o açúcar. Desligar e deixar esfriar.

Creme Chantillly

600 ml creme de leite fresco gelado
40 g de açúcar de confeiteiro
algumas gotinhas de baunilha

Bater tudo até obter um creme de consistência firme. Divida em 2 partes, 1 para cobrir e decorar o bolo por fora e 1 para as 2 camadas internas.

Para a decoração

Raspas de chocolate meio-amargo (pode fazer com uma faquinha ou um descascador de legumes)
Cerejas ao marasquino

Montagem

Corte o pão de ló em 3 discos. Use uma faca de pão e comece pelas bordas fazendo toda a volta e só depois corte a parte mais interna. Use o fundo de uma forma de fundo solto para retirar delicadamente o primeiro disco. Faça outro corte e retire o segundo disco. Comece a pincelar o disco de baixo com a calda até ficar bem molhadinho, coloque uma camada de chantilly (+- 1/4) e cerejas picadinhas, coloque o disco do meio e repita a operação: pincelar a calda e cobrir de chantilly/cerejas. Coloque o último disco e pincele novamente com a calda. Com uma espátula, cubra todo o bolo com chantilly e depois com as raspas de chocolate. Use um saco de confeiteiro para fazer os suspiros de chantilly em volta da torta e coloque cerejas cortadas ao meio em cima de cada um. Guarde a torta na geladeira se não for servir imediatamente senão o creme pode derreter.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O pequeno livro vermelho

http://www.leparisien.fr/images/2009/03/02/427840_1.jpg

Hoje, dia 2 de março, sai a edição 2009 do famoso Guia Michelin, que festeja esse ano seu centenário. Para quem não conhece sua história, o fabricante de pneus criou o guia no início do século passado com o intuito de... vender pneus. Citando François Michelin: "Nós fabricávamos pneus. Nós precisávamos vendê-los para manter nossas fábricas funcionando e assegurar o trabalho de nossos operários. Era importante dar aos automobilistas razoes para rodarem. Daí a criação do guia." A classificação anual de hotéis, restaurantes e locais turísticos continua sendo um best-seller. Em 2008, 370.00 exemplares do Guia Michelin, ou Guide Rouge como passou a ser chamado à partir de 2003, foram vendidos. Como tudo o que faz muito sucesso, o guia é criticado por uns, elogiado por outros, porém nunca ignorado. Alguns reclamam de ser elitista e ultrapassado. Outros vêem nele a certeza de encontrar sempre lugares de boa qualidade. Para os estabelecimentos, ter um ou mais (três no máximo) de seus "macarons" (ou estrelas) ou simplesmente ser citado no guia, é a certeza de atrair clientela. Por outro lado, os grandes guias colocam uma pressão enorme nos chefs de restaurantes estrelados, que são os mais afetados pela classificação. O pavor de perder uma estrela ou a esperança de ganhar uma, já foi cenário para grandes dramas. Grandes chefs já renunciaram às suas estrelas, e até mesmo o suicídio do chef 3 estrelas Bernard Loiseau aos 52 anos em 2003, é atribuído, em parte, à críticas insuportáveis por parte do Gault Millau (maior concorrente do Michelin). Mas o valor do Guia não se restringe somente à crítica dos grandes restaurantes. Seu verdadeiro tesouro está na sua seleção de bistrôs e outros restaurantes classificados segundo sua relação qualidade/preço. E isso, em cada canto da França.