quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um Natal francês


A mesa arrumada, as guirlandas do pinheiro piscando, o presépio montado aguardando o bebê Jesus que só é colocado na manjedoura à meia noite. O Natal, desde que cheguei na França em 2001, é comemorado na casa dos meus sogros, nos arredores de Paris. Ostras sendo abertas na cozinha, a excitação das crianças correndo por todos os lados, subindo e descendo as escadas. Estávamos prontos para abrir finalmente a champagne e começar a degustar os pequeninos escargots. Depois de subirmos ao segundo andar para ouvir o concerto das crianças ao piano, descobríamos, ao retornar à sala, os embrulhos de presentes deixados pelo papai Noel. A alegria era grande ao abri-los e a ceia podia começar. As ostras cruas servidas com limão, pão de centeio e manteiga e acompanhadas de um Chablis faziam concorrência ao salmão fumé / blinis , reservados aos que ainda não haviam educado o paladar às ostras. As crianças eram encorajadas a provarem de tudo, menos, é claro, o vinho. A seguir veio um prato de frutos do mar e peixes frescos em um molho à base de tomates, pimentões verdes, leite de côco e coentro (uma moqueca no Natal francês ?! Eh, oui. Mea culpa!) Dentre os queijos que dão continuidade ao serviço, destaca-se o Mont d'or, um must no Natal. Deliciosamente cremoso, ele é servido às colheradas.

Bûche de Noël

As tradicionais “bûches” (rocambole de pão de ló recheados de creme de chocolate ou castanhas e decorados como um tronco de árvore) são as sobremesas. Fruits deguisés, trufas de chocolates, macarrons, marron glacés e frutas frescas da época (clementines – pequenas tangerinas sem caroços, e litchis – frutinha com sabor de rosas, importada da ilha de La Réunion) encerram a ceia do 24 de dezembro. Já é tarde, as crianças dormem no carro no caminho de volta à casa. A noite vai ser curta.

lichis

No dia 25 começa tudo de novo. Nada de requentar restos da véspera. Dia novo, menu novo. Enquanto os mais devotos vão à missa de Natal e os um pouco menos devotos passam a manhã a montar brinquedos e ler instruções, o chapon está sendo assado no forno. Nos reunimos todos novamente em volta da mesa de Mamine, nome carinhoso que os netos usam para chamar minha sogra. Hoje é dia de foie gras de canard com geléia de figo e torradas de brioche acompanhado de um Monbazillac (vinho licoroso da região sudoeste), o chapon – um galo gordo típico das festas de fim de ano – é servido com castanhas portuguesas assadas. Repetimos os queijos e sobremesas da véspera porque ninguém é de ferro e nos entregamos à preguiça.

Macarons café, framboesa e pistachio